A Espaçonave Espiritual: Como DEUS Nos Possibilita a Construir a Nossa Fé

O homem conseguiu construir máquinas capazes de deixar a Terra, atravessar o ambiente extremamente hostil do espaço e retornar. Uma espaçonave está entre as construções mais complexas já produzidas pelo conhecimento humano.

Entretanto, nenhuma espaçonave começa pela complexidade.

Ela começa pelos fundamentos.

O homem não criou os elementos químicos usados em sua construção. Não determinou as propriedades dos metais. Não estabeleceu as leis relacionadas à força, movimento, pressão, temperatura, gravidade ou energia.

Tudo isso já existia antes de começarmos a estudar.

O homem observa, aprende, experimenta, desenvolve conhecimento e utiliza aquilo que encontrou na criação.

É exatamente por isso que uma espaçonave pode ser construída.

E algo muito semelhante acontece na vida espiritual.

Nós chegamos depois

Quando nascemos, encontramos uma realidade que já estava aqui.

Não escolhemos nascer.
Não estabelecemos as condições necessárias para permanecer vivos.
Não decidimos que precisaríamos respirar, alimentar-nos ou dormir.
Não determinamos como nosso corpo funcionaria.
Não criamos as leis às quais nossa existência está submetida.
E, ainda que desejemos continuar vivendo, nossa vontade não é suficiente para impedir indefinidamente a morte.

Nascemos sem termos decidido nascer, vivemos dentro de uma realidade que não estabelecemos e morremos sem que nossa simples vontade possa impedir isso.

Essa constatação deveria produzir uma pergunta fundamental:

O que existia antes de mim para que eu pudesse existir?

Nós não somos o princípio.

Chegamos depois.

Nossa própria existência nos força a olhar para aquilo — e para Aquele — que nos antecede.

É nesse ponto que começa a fazer sentido procurar DEUS.

Nenhum homem começa completamente vazio

Isso também significa que nenhum de nós começa completamente desprovido dos elementos que podem nos levar ao conhecimento de DEUS.

Todos viemos de DEUS.

Todos recebemos vida.

Todos recebemos capacidade para observar, raciocinar, aprender, comparar, escolher e perceber consequências.

DEUS não faz acepção de pessoas.

Isso não significa que todos recebemos exatamente o mesmo conhecimento, as mesmas oportunidades ou as mesmas experiências.

Significa que DEUS não criou uma espécie de homem apta a conhecê-Lo e outra incapaz disso por natureza.

Há elementos fundamentais acessíveis ao homem na própria existência, na criação e na consciência.

Paulo escreveu:

“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas…”

Também escreveu que mesmo aqueles que não receberam formalmente a Lei podiam demonstrar:

“a obra da lei escrita no seu coração, testificando juntamente a sua consciência…”

Quando DEUS Se faz conhecer por Sua Palavra, essa Palavra não precisa criar do nada no homem a possibilidade de reconhecê-Lo.

Ela conscientiza, esclarece, organiza e amplia aquilo que a própria existência, a criação e a consciência já permitiam começar a perceber.

DEUS não nos deu uma inteligência pronta

Há aqui outra distinção importante.

Ser inteligente é uma capacidade.

Inteligência é aquilo que vai sendo desenvolvido pelo uso dessa capacidade.

DEUS não deu ao homem todo o conhecimento pronto.

Deu-lhe condições para adquiri-lo.

O homem observa.
Aprende.
Pratica.
Erra.
Compara.
Corrige.
Acumula experiência.

E a partir do conhecimento e do aprendizado desenvolve inteligência.

Por isso prática é tão importante.

Conhecimento recebido apenas como informação ainda não é experiência.

Quando aquilo que foi aprendido é colocado em prática, o homem passa a experimentar suas consequências.

A experiência torna-se então uma forma de aprendizado.

Podemos observar uma sequência:

capacidade → conhecimento → prática → experiência → aprendizado → inteligência.

Foi assim que o homem chegou à possibilidade de construir uma espaçonave.

Nenhum homem nasceu sabendo engenharia aeroespacial.

Foi necessário acumular conhecimento durante gerações.

Muitas experiências falharam.

Muitos conceitos precisaram ser revistos.

Muitos materiais foram testados.

Muitos erros produziram aprendizado.

Até que o homem desenvolvesse inteligência suficiente para utilizar os elementos da criação de maneira capaz de vencer as condições hostis do espaço.

No mundo espiritual acontece algo semelhante.

No mundo espiritual também existem fundamentos

Assim como uma espaçonave precisa respeitar princípios físicos que já existiam antes dela, a vida espiritual precisa ser construída sobre princípios que o homem não criou.

E encontramos esses fundamentos já no Éden.

Ali encontramos DEUS como Criador e referência.

Encontramos o homem recebendo de DEUS aquilo de que necessita.

Encontramos trabalho.
Encontramos relacionamento.
Encontramos casamento.
Encontramos descanso.
Encontramos liberdade.
Encontramos uma palavra dada por DEUS.
E encontramos também consequências estabelecidas para aquilo que o homem decidir fazer com sua liberdade.

A instrução era simples:

“…da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás…”

Mas dentro daquela instrução simples havia uma questão enorme:

O homem confiará suficientemente em DEUS para orientar sua vida segundo aquilo que DEUS disse?

A serpente atacou exatamente esse fundamento:

“É assim que DEUS disse?”

Não foi necessário destruir fisicamente o Éden.

Bastou atacar a confiança na Palavra de DEUS.

A ruptura começou no fundamento.

A complexidade não elimina o fundamento

Uma espaçonave é extremamente complexa.

Mesmo assim, ela continua submetida a princípios básicos.

A complexidade de seus sistemas não revoga as propriedades da matéria.

Não elimina causa e consequência.

Não modifica as leis que sustentam seu funcionamento.

Pelo contrário.

Quanto mais complexa é a estrutura, mais rigorosamente os fundamentos precisam ser respeitados.

Na vida espiritual também acontece isso.

A humanidade tornou-se complexa.

Surgiram povos, governos, conflitos, comércio, riqueza, pobreza, guerras, sistemas religiosos e inúmeras relações sociais.

Mas a complexidade humana não tornou obsoletos os fundamentos estabelecidos por DEUS.

Por isso o SENHOR JESUS CRISTO, ao tratar de uma questão complexa envolvendo casamento e divórcio, levou Seus ouvintes de volta ao princípio:

“Mas ao princípio não foi assim.”

Quando a construção apresenta deformações, é preciso consultar novamente o projeto original.

A Lei: o manual da construção espiritual

Com Israel, DEUS tornou explícitas muitas das instruções necessárias para organizar a vida humana segundo Seus fundamentos.

A Lei não criou DEUS.
Não criou o bem.
Não criou a justiça.
Não criou o casamento.
Não criou a responsabilidade.
Não criou o pecado.
Não criou causa e consequência.

Essas realidades já aparecem antes do Sinai.

Caim foi responsabilizado antes da Lei dada a Moisés.

Noé foi chamado justo antes do Sinai.

José, muito antes da formalização da Lei em Israel, compreendeu que o adultério seria pecado contra DEUS:

“Como, pois, faria eu tamanha maldade e pecaria contra DEUS?”

Com a Lei, DEUS formalizou aquilo que o homem precisava compreender para construir sua vida de maneira organizada.

Podemos compará-la a um verdadeiro manual de engenharia espiritual.

Os Mandamentos apresentam fundamentos.

Os estatutos mostram aplicações.

Os juízos demonstram responsabilidades e consequências.

Os princípios não nasceram no manual.

O manual ensina o homem a lidar corretamente com os princípios que já pertencem à realidade estabelecida por DEUS.

Possuir o manual não significa possuir a estrutura

Um engenheiro pode possuir o melhor projeto já elaborado e ainda construir incorretamente.

Possuir o manual não garante a construção.

É preciso utilizá-lo.

Israel recebeu a Lei.

Isso não significava automaticamente que Israel viveria segundo a Lei.

Era necessário praticar.

Tiago posteriormente resumiria esse princípio de maneira direta:

“Sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes…”

Conhecer a instrução não é a mesma coisa que construir segundo ela.

E isso é essencial para compreender a fé.

Conhecimento sem prática pode permanecer apenas como informação.

A prática transforma conhecimento em experiência.

O SENHOR JESUS CRISTO mostrou a construção funcionando

O SENHOR JESUS CRISTO não veio apresentar outro fundamento.

Ele declarou:

“A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.”

E também:

“Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai…”

O SENHOR JESUS CRISTO não apenas ensinou uma vida fundamentada em DEUS.

Ele demonstrou essa vida.

Ele mostrou como os fundamentos se comportam quando colocados em prática no mundo real.

Foi tentado.
Foi rejeitado.
Foi perseguido.

Experimentou fome.
Cansaço.
Dor.
Injustiça.

Mesmo assim permaneceu fiel a DEUS.

Ele não apenas falou sobre a estrutura.

Ele mostrou a estrutura resistindo ao ambiente hostil.

Por isso Suas palavras:

“Eu sou o caminho…”

não precisam ser reduzidas a uma declaração abstrata.

Há também demonstração.

O SENHOR JESUS CRISTO mostrou como andar.

A armadura de DEUS precisa ser usada

Paulo apresenta em Efésios outra imagem poderosa: a armadura de DEUS.

Verdade.
Justiça.
Evangelho da paz.
Fé.
Salvação.
Palavra de DEUS.

Nenhum desses elementos foi criado pelo homem.

DEUS os fornece.

Mas observe os verbos usados por Paulo:

revesti-vos.
cingi-vos.
calçai.
tomai o escudo.
tomai o capacete.
vigiai.

Há aquilo que DEUS oferece e há aquilo que o homem precisa fazer com o que recebeu.

Um escudo excelente colocado no chão não protege o soldado.

O problema não está na resistência do escudo.

Está no uso.

João apresenta princípio semelhante:

“Sabemos que todo aquele que é nascido de DEUS não peca; mas o que de DEUS é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.”

Observe:

conserva-se.

Existe responsabilidade pessoal.

DEUS fornece os elementos.

O homem precisa utilizá-los para construir uma vida capaz de permanecer.

A construção será provada

Poucos textos se encaixam tão perfeitamente nessa comparação quanto Mateus 7:21 em diante.

Ao concluir o Sermão do Monte, o SENHOR JESUS CRISTO declara:

“Nem todo o que me diz: SENHOR, SENHOR! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”

A distinção é clara:

dizer não substitui fazer.

E a advertência se torna ainda mais séria no verso seguinte:

“Muitos me dirão naquele dia: SENHOR, SENHOR, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?”

Essas pessoas não ignoravam o nome do SENHOR JESUS CRISTO.

Falavam em Seu nome.
Agiam em Seu nome.
Chamavam-No de SENHOR.

Mesmo assim ouviriam:

“Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.”

Isso deveria nos fazer pensar seriamente sobre a facilidade com que hoje se usa a expressão “em nome do SENHOR”.

Uma música pode falar do SENHOR JESUS CRISTO.

Uma pregação pode utilizar Seu nome.

Uma pessoa pode declarar paixão por Ele.

Pode haver emoção.

Pode haver entusiasmo.

Pode haver atividade religiosa.

Nada disso, isoladamente, demonstra que a construção foi feita sobre o fundamento.

O próprio SENHOR estabelece o critério:

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.”

As duas casas foram construídas.

As duas enfrentaram chuva.
As duas receberam ventos.
As duas foram atingidas.

Mas somente uma permaneceu.

O teste revelou a construção.

A tempestade não pergunta o que o construtor dizia

Uma espaçonave pode ser visualmente extraordinária.

Pode receber elogios.

Pode possuir tecnologia sofisticada.

Seus responsáveis podem assegurar que ela é segura.

Mas quando entrar no ambiente hostil do espaço, aquilo que foi dito sobre ela não determinará se permanecerá inteira.

A estrutura responderá.
Os materiais responderão.
O projeto responderá.
A construção responderá.

Assim também acontece espiritualmente.

A tempestade não pergunta:

“Quanto você dizia amar o SENHOR?”

Ela revela como a vida foi construída.

Por isso o homem insensato de Mateus 7 não é descrito simplesmente como alguém que nunca ouviu.

Ele ouviu.

Mas não praticou.

O problema não era falta de informação.

Era conhecimento que não se transformou em construção.

Fé, portanto, não é declarar que a estrutura resistirá.

Fé é confiar suficientemente no fundamento para construir segundo ele antes que chegue a prova.

“Posso todas as coisas” não significa poder fazer qualquer coisa

Uma das frases bíblicas mais conhecidas é:

“Posso todas as coisas naquele que me fortalece.”

Mas Paulo não estava dizendo:

“Posso realizar qualquer coisa que desejar porque DEUS me dará poder para isso.”

O contexto apresenta outra realidade.

Paulo sabia viver em abundância.
Sabia passar necessidade.
Sabia ter fartura.
Sabia sentir fome.

Ele havia aprendido a permanecer em circunstâncias diferentes.

O fortalecimento não retirava as condições hostis.

Permitiria atravessá-las.

Isso se parece novamente com a espaçonave.

Ela não vence o espaço porque as leis do universo são suspensas em favor dela.

Ela atravessa o espaço justamente porque foi construída levando essas leis a sério.

Assim também acontece com aquele que é fortalecido pelo SENHOR.

DEUS não precisa remover todos os obstáculos.

Ele oferece ao homem aquilo que o possibilita permanecer firme no meio deles.

O verdadeiro significado de fé

Hebreus diz:

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem.”

Aquilo que ainda não vemos não precisa ser aquilo sobre o qual nada sabemos.

Antes de lançar uma espaçonave, ninguém viu toda a viagem que ela fará.

Mas existe fundamento para acreditar que conseguirá realizá-la.

Existem cálculos.
Materiais conhecidos.
Testes.
Princípios.
Experiências anteriores.

A confiança no resultado futuro não nasceu do vazio.

Ela possui fundamento.

É assim que a fé começa a fazer sentido.

DEUS ensina.
O homem aprende.
O homem pratica.
A prática produz experiência.
A experiência produz aprendizado.
O aprendizado aumenta o conhecimento.
Esse conhecimento desenvolve inteligência.

A experiência com aquilo que DEUS ensinou aumenta a confiança.

E essa confiança permite ao homem agir diante daquilo que ainda não vê.

Temos então uma sequência:

conhecimento → prática → experiência → aprendizado → confiança → fé.

A fé não é acreditar no abstrato.

Não é abandonar o raciocínio.

É justamente o contrário.

A fé permite que o raciocínio avance até aquilo que ainda não pode ser visto porque existe fundamento suficiente para confiar.

Crer não é ainda o mesmo que ter fé

Tiago escreveu:

“Tu crês que há um só DEUS; fazes bem; também os demônios o creem e estremecem.”

Portanto, admitir intelectualmente a existência de DEUS não caracteriza por si só a fé.

A fé começa a se revelar quando aquilo que se conhece acerca de DEUS interfere nas escolhas.

Abraão não demonstrou fé apenas afirmando que acreditava.

A confiança transformou-se em ação.

Noé recebeu informação sobre algo que ainda não via.

Hebreus diz que ele:

“divinamente avisado das coisas que ainda não se viam… preparou a arca.”

A construção da arca foi a manifestação da confiança.

Noé não via aquilo que havia sido anunciado.

Mas considerava suficientemente confiável Aquele que havia falado.

Por isso construiu.

A fé tornou visível, no presente, a confiança depositada numa realidade futura.

A primeira espaçonave pode falhar

Há outro aspecto importante nessa analogia.

A primeira tentativa pode falhar.

Um material pode não suportar determinada condição.

Um cálculo pode ser insuficiente.

Uma interação pode não ter sido compreendida.

Isso não significa necessariamente que os construtores desprezaram as leis físicas.

Pode significar falta de experiência.

O fracasso, nesse caso, acrescenta conhecimento.

Aquilo que não era conhecido passa a fazer parte da experiência.

A próxima construção poderá ser melhor justamente porque a primeira revelou uma fraqueza.

Também podemos falhar espiritualmente por falta de experiência.

Pedro descobriu aquilo que ainda não sabia

Pedro declarou que permaneceria com o SENHOR JESUS CRISTO mesmo diante da morte.

Poucas horas depois, negou conhecê-Lo.

Talvez Pedro acreditasse sinceramente que sua estrutura já era suficientemente resistente.

A prova revelou outra coisa.

Ele descobriu uma fraqueza que ainda não conhecia suficientemente em si mesmo.

Mas essa falha não foi necessariamente o fim da construção.

O SENHOR JESUS CRISTO havia dito:

“Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos.”

Depois da queda, houve oportunidade de reconstrução.

Pedro agora possuía uma experiência que antes não possuía.

Ele aprendera dolorosamente que podia falhar.

O arrependimento é um chamado à reconstrução

Arrependimento não é simplesmente sentir tristeza porque uma ação produziu consequência desagradável.

Arrepender-se envolve reconhecer:

“Construí errado.”

E então voltar ao fundamento.

A misericórdia de DEUS não consiste em chamar uma construção defeituosa de correta.

Consiste em permitir que aquele que reconheceu sua falha volte ao fundamento e reconstrua.

O erro não precisa ser o fim.

Quando a falha ocorreu por falta de conhecimento ou experiência, ela própria pode produzir aprendizado.

O homem que volta já não é exatamente o mesmo que construiu antes.

Agora ele sabe algo que não sabia.

A experiência pode produzir prudência.

Por isso o arrependimento não elimina responsabilidade.

Ele devolve ao homem a oportunidade de exercê-la corretamente.

Existe diferença entre inexperiência e desprezo

Um engenheiro que desconhecia determinado fenômeno encontra-se em uma situação.

Outro que conhece uma regra de segurança, sabe por que ela existe e decide ignorá-la está em outra situação completamente diferente.

Espiritualmente também há essa distinção.

O SENHOR JESUS CRISTO ensinou que aquele que conheceu a vontade de seu senhor possui responsabilidade maior do que aquele que não a conheceu.

Quanto maior o conhecimento, maior a responsabilidade.

DEUS não exige que o homem nasça experiente.

Mas aquilo que ele aprende passa a fazer parte daquilo que é responsável por guardar.

Há ainda uma situação que merece atenção. Uma pessoa pode saber que DEUS existe, ouvir continuamente falar do SENHOR JESUS CRISTO e saber que possui nas Escrituras uma referência para conhecê-Los, mas ainda assim construir sua vida espiritual principalmente sobre aquilo que outros lhe dizem.

Pode jejuar, orar, buscar milagres, ouvir pregações, cantar sobre seu amor pelo SENHOR e participar intensamente de atividades religiosas. Nenhuma dessas coisas é necessariamente errada. O problema começa quando elas ocupam o lugar da referência.

É como possuir o manual para construir uma espaçonave, mas não consultá-lo. Em vez disso, o construtor passa a trabalhar a partir daquilo que ouviu outros dizerem sobre o manual.

Quanto mais distante estiver da fonte, maior será a possibilidade de introduzir na construção aquilo que nunca esteve no projeto.

A Bíblia não elimina a necessidade de aprender com outras pessoas. Mas aquilo que ouvimos precisa continuar submetido à referência. Pregadores, professores, músicas, tradições, experiências pessoais e até acontecimentos considerados milagrosos não podem ocupar o lugar da Palavra de DEUS.

Por isso, existe diferença entre ainda não conhecer determinado princípio e possuir condições de conhecê-lo, mas não considerar importante recorrer àquilo que DEUS deixou como referência.

Uma coisa é falhar enquanto aprende a obedecer.

Outra é conhecer o fundamento e deliberadamente desprezá-lo.

O primeiro caso pode produzir arrependimento, aprendizado e reconstrução.

O segundo conduz ao endurecimento.

A fé vai sendo construída

A fé não precisa nascer pronta.

Assim como ninguém começa construindo espaçonaves antes de aprender fundamentos elementares, nossa confiança em DEUS também pode crescer progressivamente.

Primeiro conhecemos.
Depois praticamos.
Então experimentamos.

A experiência produz aprendizado.

O aprendizado nos oferece mais elementos para raciocinar.

Quanto mais verificamos a coerência daquilo que DEUS ensina, mais razões possuímos para confiar nEle.

Quanto mais confiamos em DEUS, maior valor damos àquilo que Ele ensina.

Quanto maior valor damos ao ensino, mais procuramos praticá-lo.

Quanto mais praticamos, mais experiência adquirimos.

E quanto maior a experiência, maior o fundamento para confiar também naquilo que ainda não vemos.

Assim a fé ganha estrutura.

Não é apenas uma afirmação.
Não é apenas uma emoção.
Não é apenas desejar que algo seja verdade.

É confiança construída.

DEUS fornece os elementos; o homem constrói

Uma espaçonave é obra do homem.

Mas o homem não criou os fundamentos que tornaram sua construção possível.

Não criou os elementos.
Não criou suas propriedades.
Não criou as leis físicas.
Não criou o universo pelo qual a espaçonave viajará.

Também não deu a si mesmo a capacidade de observar, aprender, raciocinar e, por meio do conhecimento, da prática e da experiência, desenvolver a inteligência necessária para construir tudo isso.

DEUS tornou esses recursos possíveis.

O homem os utilizou.

Espiritualmente ocorre algo semelhante.

DEUS fornece fundamentos.
DEUS ensina.
DEUS orienta.
DEUS adverte.
DEUS permite aprender.
DEUS oferece arrependimento quando reconhecemos que construímos errado.

Mas o homem precisa agir.

Precisa escolher.
Precisa praticar.
Precisa experimentar.
Precisa aprender.
Precisa corrigir.
Precisa permanecer.
Precisa conservar-se.

É justamente porque DEUS lhe dá os recursos necessários que o homem pode exercer verdadeiramente o livre-arbítrio.

O livre-arbítrio não significa criar as próprias leis

O homem pode escolher como utilizar os elementos da criação.

Mas não pode escolher que propriedades esses elementos terão.

Pode construir uma espaçonave corretamente ou incorretamente.

Mas não pode decidir que um material frágil passe a suportar aquilo que sua própria constituição não permite.

O livre-arbítrio não dá ao homem poder para eliminar causa e consequência.

Ele lhe dá liberdade para agir dentro de uma realidade já estabelecida.

Espiritualmente é a mesma coisa.

O homem pode escolher obedecer ou transgredir.

Pode confiar em DEUS ou rejeitar Sua orientação.

Pode praticar ou apenas ouvir.

Mas não possui autoridade para determinar quais serão as consequências finais de suas escolhas.

As regras da construção não pertencem ao construtor.

No final, toda a construção aponta novamente para DEUS

Quanto mais extraordinária se torna uma espaçonave, mais claramente percebemos que ela depende de realidades anteriores a si mesma.

Ela não criou os elementos de que é feita.
Não criou as leis segundo as quais funciona.
Não criou o universo que atravessa.

O homem organizou aquilo que encontrou.

Nossa própria existência deveria produzir reflexão semelhante.

Nós chegamos depois.
Encontramos matéria.
Encontramos energia.
Encontramos ordem.
Encontramos vida.
Encontramos consciência.
Encontramos capacidade de aprender.
Encontramos fundamentos.
Não somos o início.

Por isso, quando o homem utiliza corretamente aquilo que recebeu, o resultado não deveria ser sua autoglorificação.

Deveria conduzi-lo a reconhecer DEUS como Aquele que tornou tudo possível.

O homem pode construir uma espaçonave.

Mas tudo aquilo que tornou a construção possível existia antes dele.

Da mesma maneira, o homem pode construir uma fé sólida.

Mas os fundamentos, a capacidade de aprender, a Palavra, o conhecimento de DEUS, os exemplos, as advertências e as oportunidades de experiência vieram antes.

Por isso a verdadeira fé não exige que abandonemos o raciocínio.

Exige que raciocinemos sobre os fundamentos.
Que pratiquemos aquilo que aprendemos.
Que adquiramos experiência.
Que corrijamos aquilo que construímos errado.
Que voltemos ao fundamento quando necessário.

E que aprendamos progressivamente a confiar naquele que estava antes de nós existirmos.

Fé não é acreditar sem fundamento.

Fé é confiar suficientemente em DEUS para construir a vida segundo aquilo que Ele ensinou, experimentar a firmeza desses fundamentos e, por causa do que já conhecemos, praticamos e aprendemos, continuar confiando nEle também diante daquilo que ainda não podemos ver.

E talvez seja exatamente por isso que, depois de ensinar, advertir e apresentar os fundamentos, o SENHOR JESUS CRISTO encerrou Sua comparação não perguntando quem havia dito que acreditava na casa.

A pergunta foi respondida pela própria construção.

Veio a chuva.
Vieram os rios.
Sopraram os ventos.
E a casa permaneceu.

Porque estava edificada sobre a rocha.

Rolar para cima